Como Você Trata a Criança que Existe em Você?

Tempo de leitura: 4 minutos

Ser criança é uma delícia! Brincar, aprender, sonhar, tudo isso faz parte do ambiente da infância, mas sabemos que nem tudo são flores na vida dos pequenos… ser criança também significa estar totalmente vulnerável, física e psicologicamente, significa necessitar integralmente dos cuidados dos adultos para viver, significa ter problemas, e principalmente criar uma visão de mundo, que nos acompanhará durante toda a nossa vida.

 

Todos nós tivemos problemas na infância: quem teve pais casados ou separados, quem foi filho único ou teve irmãos,  quem estudou em escolas públicas ou particulares, quem brigava na escola ou sofria bullying.

 

Existe uma ilusão, uma imagem criada pela coletividade, de que a infância de todos nós deve ter sido perfeita, mas sabemos que, na prática, as coisas não funcionam assim. Convido você, meu caro amigo, a revisitar e a curar a criança mais importante do mundo: a SUA criança interior.

Quem é a sua criança interior?

Por mais independentes, adultos e crescidos que sejamos, existe uma parte de nós que pede por cuidados, segurança e atenção, todos temos vontades infantis que surgem independentemente das normas e do socialmente aceitável. Essa criança interior é, ao mesmo tempo, sensibilidade, inocência e vulnerabilidade, aliada à vitalidade, alegria, curiosidade e descoberta.

 

Após anos a fio vivendo no mundo dos adultos, você pode ter abandonado essa conexão com a sua criança interna. Nos esquecemos de chorar quando sentimos dor ou incômodo, aprendemos a fazer caras bonitas para agradar quem está ao nosso redor, perdemos a curiosidade, a vontade de nos divertir e de demonstrar os nossos sentimentos.

 

A criança é imatura, porém sincera. Com o tempo, desenvolvemos as boas e as más qualidades dos adultos, e acabando endurecendo diante dos obstáculos que encontramos pela vida. É preciso redescobrir as qualidades primordiais da infância, para nos tornarmos adultos mais felizes.

Como foi a sua infância?

Somos feitos do nosso passado, é ele quem nos tornou a pessoa que somos hoje, por isso devemos ser gratos e não carregar sentimentos de ódio, mágoa ou rancor. Essa é uma premissa simples, mas não é fácil de interiorizar.

Durante a infância, passamos por várias situações e diferentes sentimentos, e muitas vezes, não temos a estrutura emocional necessária para elaborar todas aquelas questões. Aprendemos com os adultos à nossa volta o que significa ser homem ou mulher, e passamos a viver dentro de bolhas de comportamento, que podemos repetir durante toda a nossa vida, se não tivermos um despertar de consciência e não utilizarmos métodos específicos para mudar.

Portanto, por mais dolorido que seja, é fundamental que não tenhamos medo de revisitar essas memórias, trazendo-as para a luz da consciência, pois só assim poderemos separar aquilo que é útil das velhas formas de comportamento que já não nos servem mais.

Aprenda a perdoar

 

Pode ser que durante esse processo você reviva mágoas muito antigas, de seu pai, da sua mãe ou das pessoas que educaram você. Pode ser que você tenha sofrido algum tipo de situação que não seria adequada para uma criança, que tenha tido sentimentos ruins como medo, raiva, revolta ou tristeza.

 

Todos nós, de alguma forma, passamos por isso, e nesse contexto, é importante passar a enxergar as pessoas que nos criaram como seres humanos, que também erraram, acertaram, e fizeram por nós o melhor que puderam com os recursos que tinham disponíveis.

 

Perdoe, assuma hoje a responsabilidade pela sua própria vida e pelos seus próprios sentimentos, sem culpar seus pais ou a sua família pelas coisas que você faz e pensa. Quando tiramos nossos pais da posição de super heróis, conhecemos os seres humanos que estão por trás dessa figura, e também nos tornamos livres para ser quem somos.

Recobre a coragem e a confiança de uma criança

 

Quando pequenos, não temos medo de nada! Sua mãe fala: “Desce daí que você vai se machucar”, e você simplesmente não dá ouvidos, pois se sente invencível. Para a criança, todas as coisas são possíveis, falamos sem rodeios que queremos ser astronautas, modelos ou atores de TV, brincamos, abraçamos e dizemos Eu te Amo sem qualquer reserva. Na medida em que crescemos, vamos, pouco a pouco, perdendo a coragem e a confiança de uma criança, e passamos a ter medo da vida e de demonstrar os nossos sentimentos.

Reconectar-se com a criança interior é recobrar a sua luz primordial, é voltar a ter fé nas pessoas, no mundo e principalmente em nós mesmos.

 

Grande abraço,

Lucas Calônego

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *